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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Cariri é maioria entre os novos Mestres da Cultura do Ceará divulgados

Sete dos 11 novos Mestres e Mestras da Cultura do Ceará divulgados nesta quinta-feira, 21, pela Secretaria de Cultura do Estado, são da região do Cariri. Esta lista torna público o resultado da seleção para o edital "Tesouros Vivos da Cultura 2018" que reconhece o ofício, importância e impacto sociocultural dos trabalhos de artesãos, artistas, músicos, brincantes e ademais grupos ou coletividades para a sociedade cearense.

Entre os selecionados, três são de Juazeiro do Norte (Cabaceiro Siará, Mestre Antônio e Mestre Expedito Caboco) dois de Crato (Aécio de Zaira e Dona Edite do Coco)  e um de Aurora (Gil D’Aurora) e Porteiras (Maria de Tiê).





O edital recebeu 119 inscrições validadas, sendo 105 inscritos para a categoria pessoa natural – mestres e mestras da Cultura, 11 para categoria grupos e 03 para coletividade.

Conheça os 11 novos Mestres e Mestras da Cultura do Ceará:






Cabaceiro Siará (Juazeiro do Norte)

Com 52 anos, Adrião Sisnando de Araújo é filho do Cariri cearense. Destaca-se pelas atividades de pesquisador e museólogo popular, coletando e mantendo um importante acervo no seu Museu das Cabaças, preservando a memória do povo cabaceiro.

Aécio de Zaira (Crato)

Com 62 anos de idade, Aécio Rodrigues de Oliveira tem como ofício, há 21 anos, a produção artesanal de instrumentos musicais (luthieria), por meio da reciclagem de madeiras mortas e outros materiais descartados no lixo, além de materiais em decomposição encontrados na natureza. Representa também através da música e da poesia popular as tradições do Cariri.

Mestre Antônio (Juazeiro do Norte)

Antônio Ferreira Evangelista, 57 anos, é líder de reisado e brincante há mais de 40 anos. Tem uma ligação tão forte com a manifestação que se torna impossível separar sua existência da brincadeira do reisado. Começou a participar da atividade quando criança no Reisado do Mestre Pedro, após o falecimento do mesmo, Antônio e seus irmãos deram continuidade ao grupo.

Mestre Expedito Caboco  (Juazeiro do Norte)

Expedito Antonio do Nascimento possui 69 anos, dos quais 60 têm sido vivenciando e difundindo a tradição das bandas cabaçais e 50 representando o personagem Mateus em reisados e guerreiros de Juazeiro do Norte. Recebeu de seu pai, João Marques de Souza, em 1971, a direção da banda cabaçal fundada por seu avô e irmãos sob as bênçãos de Padre Cícero.

Maria de Tiê (Porteiras – Comunidade Quilombola dos Souza)

Maria Josefa da Conceição tem 58 anos, dos quais 41 anos são dedicado aos saberes da dança do coco e do maneiro-pau. Suas toadas de coco divulgam as tradições próprias de seu povo, como forma de reconhecimento da transmissão entre as gerações de raiz cultural africana e afro-brasileira, advinda da singularidade, história e cultura repassada pelo seu pai, o mestre Luiz Manoel de Souza.

Dona Edite do Coco (Crato)

Edite Dias de Oliveira Silva, com 78 anos de vida, é a principal responsável por manter viva a dança do coco na comunidade das Batateiras, no Crato. Ela lidera o Grupo de Mulheres do Coco da Batateira, um grupo de 17 agricultoras cratenses, com idades entre 56 e 84 anos, criado em 1979. O grupo hoje é reconhecido com um dos mais importantes do Nordeste, tendo sido já objeto de diversas pesquisas.

Gil D’Aurora (Aurora)

Francisco Gildamir de Sousa Chagas, 60 anos, aprendeu cedo com o pai e o avô a transformar madeira em arte e, no grupo dos notáveis escultores de Aurora, destacou-se nas esculturas em movimento. Gil foi deixando sua marca, seja nas esculturas em movimentos, ex-votos ou móveis, mas foi inspirado pelo Mestre Antônio Pinto Fernandes que Mestre Gil D’Aurora entrou de cabeça no ofício de luthier, apaixonando-se fulminantemente pelas curvas e pela sonoridade da rabeca.

Cacique Sotero (Aratuba)

José Maria Pereira dos Santos, hoje com 75 anos, cresceu em meio às matas, acompanhando os pais desde pequeno nas caçadas e nos trabalhos agrícolas. Tem trabalhado na agricultura familiar de subsistência por toda a sua vida, dedicando-se também às lutas dos movimentos sociais e populares desde a década de 1960, especialmente como liderança indígena. É o idealizador do Museu dos Kanindé, o primeiro museu indígena do Ceará e segundo do Brasil.

João Pedro (Fortaleza)

João Pedro de Juazeiro é um artista inquieto na área de xilogravura e literatura de cordel. Além de produzir, preocupa-se em transmitir seus conhecimentos através de oficinas e fomentar sua arte em exposições. O Mestre empenha-se ainda em preservar a memória de seu povo, mantendo e protegendo um acervo de mais de 8000 mil peças.

Dona Raimunda Tapeba (Caucaia)

Raimunda Rodrigues Teixeira, 73 anos, é líder de seu povo, considerada a primeira mulher indígena a ocupar o papel de pajé numa etnia indígena no Ceará. Sua comunidade está estimada, atualmente, numa população de oito mil indígenas da etnia Tapeba, que vivem em Caucaia. D. Raimunda mantém os costumes indígenas vivos por meio de sua memória e seus ensinamentos acerca das lendas, culinária, ervas, rituais e costumes.

Chico Belo (Caridade)

Francisco Alves de Freitas, nasceu há 70 anos em Caridade, no Sertão de Canindé. Desenvolve o artesanato em couro, ofício herdado do pai e do avô. Em suas mãos, o couro curtido vira selas e arreios, botas e sandálias, cintos e chicotes. Mestre Chico Belo se destaca pelo esmero e pela delicadeza do seu trabalho, certamente por considerar seu ofício uma arte.