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segunda-feira, 22 de março de 2021

Hospitais do Interior do CE alertam ter estoque do kit intubação para apenas mais 14 dias



A alta demanda de internações de pacientes infectados pela Covid-19 em Unidades de Terapia Intensiva fez com que o uso de medicamentos necessários para intubação crescesse de forma exponencial em todo o País de modo a ameaçar a manutenção de seu estoque. Em vários estados o insumo já começa a faltar.
No Ceará, segundo Sayonara Moura Cidade, presidente reeleita do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), "pelo menos 80% das cidades com leitos de UTI estão em criticidade". Atualmente, conforme a Secretaria da Saúde do Ceará, 18 municípios possuem leitos de UTI. Antes da pandemia, em 2019, eram apenas quatro (Fortaleza, Sobral, Barbalha e Juazeiro do Norte).
Esses municípios, ainda segundo o Cosems, têm estoque suficiente para no máximo duas semanas. Ao todo, 22 medicamentos compõem o chamado "kit intubação". Deste total, Sayonara relata que os insumos que estão próximo de se esgotarem são os bloqueadores neuromusculares e anestésicos.
O Diário do Nordeste solicitou a lista dessas cidades à Secretaria do Estado do Ceará. A Pasta, no entanto, informou que "essa informação está centralizada pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará". A Aprece, contudo, não enviou os nomes até o fechamento desta matéria.
"A situação é desesperadora. A luta e o sofrimento para adquirir esses medicamentos são enormes, mas está difícil. A falta total de alguns desses itens já é uma realidade", reconhece a gestora.
Ainda conforme a gestora, o panorama mais crítico é dos hospitais públicos, que dependem de licitação para compra dos medicamentos. "As unidades com leitos particulares podem recorrer a outros fornecedores. Se não tem em um, eles buscam em outros. Diferente dos leitos públicos. Quando a licitação é feita, temos apenas dois ou três fornecedores específicos. Desta forma, o pedido é feito, mas a entrega é 60, 70% menor, devido a falta dos medicamentos", acrescenta.
A reportagem também solicitou ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) a lista de medicamentos que estão com estoque em baixa. No último dia 12, eram 5 insumos com estoque para até 15 dias. No entanto, a assessoria do órgão disse que os "números sofreram alteração", mas, até o fechamento desta matéria, não enviou a lista atualizada. Também não foi detalhado quais insumos estão com risco de falta.

Estoque limitado  

A Secretaria da Saúde do Ceará, por sua vez, garantiu que não há falta de medicamentos do kit intubação nas unidades de UTI geridas pelo Estado. A Sesa acrescentou ainda que "se planejou com antecedência e tem garantido os fármacos essenciais para o tratamento da Covid-19 em sua rede hospitalar".
Em Barbalha, no Sul do Estado, o Hospital São Camilo - que possui leitos Covid custeados pelo Estado- confirma o risco de desabastecimento e diz que tem estoque suficiente apenas para os próximos cinco dias.
Conforme Marcelo Vasconcelos, diretor administrativo da unidade, "há pedidos pendentes que não foram entregues pela fornecedora. Até sexta-feira (26) se não recebermos, ficaremos desabastecidos". O Hospital conta com 10 leitos de UTI, cuja taxa de ocupação "tem sido quase sempre de 100%", segundo Marcelo.
Em Iguatu, a direção do Hospital Regional de Iguatu (HRI) também afirma que o estoque está aquém da alta demanda. Segundo Glícia Alencar, coordenadora da unidade, caso não ocorra reposição, os insumos só duram até "o fim de semana". O hospital tem 10 leitos, também mantidos pelo governo do Estado.
"Estamos a todo momento tentando conseguir mais insumos com os fornecedores. Está difícil, no momento não estamos conseguindo estocar", pontua Glícia.
Já o Hospital Regional Cariri (HRC), referência no atendimento de mais de 45 cidades do Sul do Estado, não detalhou a atual situação do estoque dos medicamentos que integram o kit intubação. A assessoria da unidade limitou-se a informar que "o estoque está sendo monitorado diariamente para que não falte". 

Articulação

Apesar de negar a falta dos insumos, a Sesa reconhece a crescente demanda desses insumos e diz que "articula uma forma de agilizar a aquisição imediata para os municípios cearenses". Ontem (21), o titular da Sesa, Dr. Cabeto, participou de reunião virtual com o presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola, e com gestores da indústria e distribuição de medicamentos do Estado. 
O objetivo do encontro foi "alinhar medidas alternativas para garantir o estoque e o fornecimento de medicamentos aos municípios". Diante do risco de desabastecimento, conforme fora apontado pelo Cosems, a Sesa informou que "se prepara para centralizar as compras dos medicamentos e ajudar as unidades hospitalares de responsabilidade das prefeituras e secretarias municipais, agilizando o processo de aquisição" dos insumos do kit intubação. 

Fonte: Diário do Nordeste