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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Polícia Civil do Ceará: 213 anos de uma história passada de geração em geração


Ainda quando criança, somos indagados sobre o que queremos ser quando crescer. Das mais variadas respostas há sempre aqueles que dizem: “eu quero ser policial”. Essa resposta pode ser baseada pela vivência, curiosidade na profissão, tradição familiar ou pelo dom e desejo que é cuidar do próximo. Dia 21 de abril, se comemora o aniversário de 213 anos de criação da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). O dia também é uma homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, que ficou imortalizado como “Tiradentes”, o patrono das polícias brasileiras (Civis e Militares). Para celebrar a data, buscamos uma história de amor e família passada por gerações e que representa um pouco do sentimento de pertencer à instituição. A história da PCCE é marcada por personagens que enxergavam desde muito cedo, com base nos caminhos trilhados pelos pais, o desejo e orgulho em dar continuidade aos novos capítulos da história da instituição cearense.

“Eu sempre tive o sonho de ser policial civil. Sempre quis ser delegado de Polícia do Ceará. Esse desejo surgiu ainda quando criança, considerando que meus pais são policiais civis. Eu achava incrível como o trabalho deles fazia a diferença na vida das pessoas. Me sentia lisonjeado e orgulhoso quando outras pessoas elogiavam o trabalho desempenhado pelos meus pais. E isso me motivou.” A afirmação é do delegado de Polícia do Ceará e atual diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Harley Filho.


Filho do delegado Antônio Harley Alencar Alves e da inspetora Eliane Pinheiro Alves, Harley é o primogênito do casal, que se conheceu em meados da década de 1980 quando trabalhavam no então Palácio da Polícia, localizado na Praça dos Voluntários, no Centro de Fortaleza. Hoje, ambos aposentados, eles acompanham a trajetória policial do filho. “Desde criança eu percebi o interesse dele em seguir na carreira policial. Tudo aconteceu de forma muito natural, mas tivemos a certeza quando em 2006 ele revelou que faria o concurso para escrivão da PCCE”, revelou Eliane. A nomeação ocorreu três anos após, quando em 2009, o filho tomou posse como escrivão. Até aí, o sonho se realizava em partes. Harley Filho buscava se tornar delegado e seguir os passos do pai. Foi quando em 2013, ele percorreu mais de 2,1 mil quilômetros e passou a morar em Minas Gerais. Lá, Harley Filho assumiu como delegado de Polícia do estado mineiro.

Mas pai e mãe são categóricos em dizer que a maior emoção de suas vidas, diante da trajetória profissional do filho, ocorreu em dezembro de 2016, quando Harley Filho tornou-se delegado de Polícia do Ceará. “Eu nunca vou esquecer quando cheguei ao Centro de Eventos e vi a foto do meu filho estampada nos painéis espalhados por lá. Foi muito lindo”, disse Eliane, com a voz embargada, sem conseguir esconder a emoção de reviver a lembrança. Harley Alencar compartilha da mesma emoção da esposa. “Para mim, a posse dele no Ceará, em 2016, foi o momento de maior emoção, diante de toda a trajetória profissional”, pontua ele.


Hoje aposentado há pouco mais de três anos, após cumprir mais de 37 anos de serviços prestados, a história se repete: o pai que outrora era motivo de orgulho para o filho, que ouvia os elogios das pessoas pelo trabalho desenvolvido por ele, vê os papéis se inverterem. “Eu tenho muito orgulho quando estou caminhando na rua e as pessoas me param, falam do trabalho exitoso dele e elogiam. Isso me dá uma alegria imensa. Eu me vejo em meu filho”, disse.

A somatória de tempo de serviço dedicado à PCCE por pai, mãe e filho beira os 79 anos. O número é mais que um terço dos 213 anos de criação da instituição. Mas se somarmos o tempo de serviço do inspetor aposentado Manuel Roberto Alencar Alves, tio de Harley Filho, irmão de seu pai, certamente, teremos mais de uma centena de anos dedicados por uma só família à PCCE.


O casal de policiais civis, juntos há 36 anos, também não esconde o orgulho do caminho trilhado pelos outros dois filhos do casal: o procurador do Estado do Acre Rafael e a advogada Larissa, atualmente trabalhando na Austrália. “Toda a nossa família enveredou para a área do Direito e da Justiça. E isso foi muito natural. Foi escolha deles. Hoje, vendo tudo que já realizamos, percebo a importância que temos que dar às escolhas dos filhos. Devemos respeitar o desejo deles. Se seu filho quer seguir sua profissão, é fundamental que você apoie e prestigie”, disse Harley Alencar.

A evolução ao longo dos séculos

Conforme o artigo 144 da Constituição Federal de 1988, a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. Desse modo, o trabalho do policial é, sem dúvidas, um dos mais importantes para garantir a promoção da Justiça social.


É somente na Constituição de 1988 que a Polícia Civil passou a ser reconhecida, nos moldes atuais, após serem determinadas as funções de cada órgão de segurança do nosso País. Porém, sua criação ocorreu em 1808, com a necessidade de uma Polícia para que as leis fossem cumpridas e que levassem à Justiça aqueles que não seguissem as condutas da época. Foi aí que a Polícia Civil do Brasil deu seus primeiros passos, com a chegada do príncipe Dom João IV ao Brasil. Também foi nessa mesma época que a nomenclatura “Civil” surgiu. Foi justamente para diferenciá-la das outras formas de policiamento, e, principalmente, por se tratar de uma polícia de caráter investigativo.

A criação da PCCE tem origem comum à Polícia Civil brasileira. Sempre combatendo o crime, buscando a verdade e promovendo a Justiça social, os mais de 3.5 mil policiais civis, na ativa, que compõem a instituição do Ceará, estão espalhados pelos 184 municípios do território cearense. Os delegados, escrivães e inspetores buscam assegurar os direitos da sociedade e manter o que foi prometido por eles desde seu ingresso na carreira de Polícia Judiciária: a apuração das infrações penais, em defesa da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.


O delegado geral da PCCE, Sérgio Pereira, ressalta a evolução do trabalho desenvolvido pela instituição ao longo dos anos. “Vivemos uma onda de reestruturação tecnológica, onde diariamente as máquinas se atualizam e contribuem para o trabalho investigativo. É inegável o avanço que vivemos até hoje. Mas nossa história é feita de pessoas e de famílias como a do Harley e da Eliane. São os policiais civis que diariamente saem às ruas para garantir que o direito constitucional de cada cidadão seja respeitado”, disse ele.

Sérgio Pereira agradeceu ainda pelo trabalho de cada policial civil. “A cada um de vocês deixo meu abraço, ainda que virtual, já que vivemos um momento de pandemia. Cada linha da história da Polícia Civil é escrita por nós. Já para a sociedade cearense ressalto que podem contar sempre com o trabalho desenvolvido por cada policial civil que, de forma abnegada, trabalha incansavelmente para deixar a sociedade mais justa e igualitária para todos.”