Morreu por volta das 9 horas da manhã
deste domingo o deficiente físico bastante conhecido por “Toinho” que costumava
entrar no gramado do estádio Romeirão junto com o time do Icasa e conduzindo
nos braços uma estátua de Padre Cícero. Era o mascote do time alviverde, mas,
sobretudo, um fervoroso devoto de Padre Cícero o qual se tornou muito querido e
as emissoras de TV sempre davam destaque ao deficiente quando este “puxava” o
seu time de coração.
“A fé nos conduz à vitória”. Nesse trecho do hino do Icasa sempre costumava erguer os dedo da mão direita para os céus e apertava a estátua do sacerdote contra o peito esquerdo percorrendo os quatro cantos do estádio, a fim de receber os aplausos do torcedor. “Toinho” sofreu um mau súbito quando passava pela Rua da Conceição e caiu perto do Edifício Patrícia no centro de Juazeiro. O SAMU foi imediatamente acionado, mas não houve tempo para o socorro médico-hospitalar. Os profissionais de saúde apenas constataram o óbito.
Por estar na via pública e, na ausência de familiares, o rabecão recolheu o
corpo e o levou para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) em Barbalha.
Supostamente, o conhecido mascote do Icasa seguia para a porta do Banco do
Brasil, onde costumava permanecer algum tempo pedindo uns trocados aos que ali
chegavam. O período mais comum nessa sua tarefa era no fim de ano quando até
costumava usar uma tôca de Papai Noel e sentar ao lado de uma caixinha na qual
colocavam dinheiro.
O amor de “Toinho” pelo futebol não começou nos braços do Verdão. Ele era fervoroso torcedor do Guarani e não perdia um jogo sequer do Leão do Mercado. Quando o desportista Zacarias Silva migrou do Guarani para o Icasa, “Toinho” foi junto e até chamado de “tapioca”, mas ele apenas sorria. No primeiro dia em que entraria no Romeirão com a camisa do Icasa para um clássico diante do Guarani, o mesmo terminou “sequestrado´ por um torcedor rubronegro que o impediu de fazer àquilo.
Há quatro décadas, “Toinho”
trabalhou como cobrador de ônibus já que ainda não tinha se aposentado e a
doença avançava ampliando as dificuldades de locomoção. Foi funcionário nas
velhas e chamadas “fubicas” do empresário e vereador José Firmino Tenório as
quais não possuíam catracas quando saía entre os clientes cobrando as
passagens. Era o único em que o dinheiro do apurado conferia rigorosamente com
as fichas vendidas. Já no primeiro ônibus com catraca a circular em Juazeiro, o
mesmo teve a primazia e foi o cobrador pioneiro a sentar na cadeira ao lado do
equipamento.
