Uma escola de
tempo integral localizada no bairro Alagadiço Novo foi invadida por criminosos
por volta de 10 horas nesta quinta-feira, 26. O POVO apurou que uma pessoa da
comunidade, que seria líder do tráfico, havia morrido recentemente. A
música que tocou ao final do recreio na escola foi interpretada como
desrespeito por pessoas que estavam de luto. Após a invasão da escola
pelos homens, os alunos foram liberados mais cedo e não haverá aula nesta
sexta-feira, 27.
O caso aconteceu na escola José Carvalho. Um aluno, que não será
identificado, relatou à reportagem que é costume do colégio tocar uma música ao
fim do intervalo, para informar aos alunos que devem retornar para a sala de
aula. Foi neste momento que o colégio foi invadido por homens, que pularam o
muro. "Eu vi dois homens, mas um amigo me disse que tinha visto mais três
ou quatro", contou o aluno.
Conforme
o rapaz, uma pessoa da comunidade tinha morrido, e as pessoas que estavam de
luto ouviram o som na escola e encararam aquilo como uma provocação. "Eles
pularam o muro, chegaram chutando a caixa de som. Acho até que quebrou, a
música parou na hora". Os invasores, então, passaram a discutir com alguns
funcionários e deram um ultimato: a escola deveria ser esvaziada em 30 minutos
ou "alguma coisa ruim ia acontecer".
Depois
da ameaça, o diretor informou aos alunos que eles seriam liberados mais cedo e
pediu que mantivessem a calma. Os alunos foram liberados a medida que os pais
chegavam ou autorizavam a saída daqueles que fossem sozinhos para casa. As aulas
foram suspensas nesta quinta-feira, 26, e canceladas na sexta, 27.
O
POVO solicitou informações a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social
(SSPDS), que informou que não houve invasão. Segundo a assessoria de
comunicação do órgão, um vizinho achou que a música tocada na escola era
desrespeitosa com o momento de luto pela morte de uma pessoa da comunidade, por
isso solicitou que a música fosse desligada, ao que foi atendido pelo diretor.
A iniciativa de sair mais cedo da sala de aula teria partido dos alunos, que
pediram para ligar para que os pais e responsáveis fossem buscá-los.
A
Secretaria Municipal de Educação (SME) também foi procurada. A reportagem
aguarda resposta.