De
acordo com testemunhas, um carro de cor esverdeada se aproximou do gestor, que
fazia caminhada matinal regularmente na parede do Açude Junco, e efetuou pelo
menos três disparos de pistola. O prefeito tombou morto a pouco mais de 300
metros de sua casa.
O
corpo do prefeito permanece no local do crime, aguardando a chegada da equipe
da Perícia Forense do
Estado do Ceará (Pefoce) de Iguatu.
Segundo
o tenente Alcebíades Brasil, a Polícia Militar designou várias viaturas para o
local, que estão em diligência para encontrar os autores do crime. “A
polícia está empenhada em capturar e creio que nas próximas horas isso vai
acontecer. Ainda é muito cedo para saber o que motivou o
crime”, pondera.
O irmão do
prefeito, Cícero Gregório, esteve no local do crime. Segundo ele, o prefeito
não havia comentado nada com a família sobre algum tipo de ameaça, mas um amigo
disse que ele estava “diferente”, sem detalhar. O gestor costumava andar acompanhado por
seguranças, mas hoje pela manhã decidiu caminhar sozinho. “Acho
que foi coisa de política. Ele não devia a ninguém. Nunca brigou com ninguém”,
afirmou.
Em
nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que as
forças de segurança do Estado iniciaram as diligências em torno do homicídio.
As equipes de Delegacia Regional de Juazeiro do Norte, da Regional de Iguatu e
do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Sul (DPJI Sul) da Polícia
Civil do Estado do Ceará (PCCE) foram mobilizadas para o local no intuito de
apurar as circunstâncias e identificar os autores do crime.
A
Polícia Militar do Ceará (PMCE) também participa das buscas pelos suspeitos com
equipes de Cariús, Cedro, Iguatu, Juazeiro do Norte e Várzea Alegre.
Repercussão
Muitos
moradores permanecem no local do crime. Alguns, estão visivelmente emocionados.
Todas as atividades da cidade nos próximos dias foram canceladas. Uma festa de
natal na casa de João Gregório estava prevista para a noite de hoje. O clima de
comoção tomou conta das ruas.
Através
das redes sociais, o governador Camilo Santana lamentou a morte do prefeito.
“Já determinei rigor absoluto nas investigações, com reforço de equipes na
região, para que os criminosos sejam identificados e presos o mais rápido
possível”, garantiu em nota.
O
secretário de Agricultora do Município, Damião Marques Rodrigues, estava na
zona rural quando soube da morte do prefeito. “Ainda não tive coragem de ir lá.
Por enquanto, estou meio desnorteado”, confessou.
Já
o comerciante Francisco Soares, amigo pessoal de João Gregório, disse que o
prefeito era uma pessoa muito querida pela população e estava fazendo uma boa
administração. “O município estava crescendo. Dava atenção a todo mundo. Não
tinha indiferença com ninguém. Ele veio morar aqui assim que assumiu. Essa
perda é algo que a gente não contava. Pegou todo mundo de surpresa”, reforça.
Trajetória
Filho
dos agricultores Raimundo Gregório Alves e Maria Vilany Gregório, João
Gregrório Neto foi o segundo de sete filhos do casal. Nasceu em 29 de
maio de 1965, no sítio Cana Brava dos Gregório, no município de Granjeiro. Sua
carreira política começou em Várzea Alegre, onde estudou e atuou em projetos
sociais, sendo duas vezes vereador, entre 1989 e 1996. Como empresário, era
dono de churrascarias, pizzaria e pousada. Voltou a política em 2016, se candidatando
a prefeito de Granjeiro, sua cidade natal, sendo eleito com 2.358 votos
(52.39%).
Em
novembro de 2018, João Gregório foi alvo da Operação Bricolagem da Polícia
Federal, que investigava fraudes em licitações. As investigações
mostraram que o prefeito chegou a movimentar cerca de R$ 26 milhões em um período
de dois anos na conta de um parente, beneficiário da aposentadoria rural. Na
casa do gestor, a PF encontrou R$ 213 mil em caixas de sapato.
Fonte-Diario do Nordeste
