Devido à paralisação de parte de
policiais da Polícia Militar do Ceará (PMCE), o policiamento ostensivo nas ruas
do Estado precisou ser reforçado. Com objetivo de garantir a segurança da
população, forças que, normalmente, não atuam com ostensividade, passaram a
assumir este papel. Além dos homens da Força Nacional de Segurança Pública e
Exército Brasileiro, agora, estão, no dia a dia nas vias públicas, assumindo o
protagonismo de abordagens, servidores da Polícia Civil do Ceará e da Guarda
Municipal de Fortaleza.
Conforme levantamento da Polícia
Civil, do dia 18 de fevereiro de 2020, primeiro dia do motim de militares, até
o último dia 22, e do dia 26 até esse sábado (29), a Polícia Judiciária
realizou 12,7 mil abordagens em Fortaleza, Região Metropolitana e Interior.
O delegado-geral da PCCE, Marcos
Rattacaso, afirma que o número é “infinitamente maior” do que nas demais
semanas, sem paralisação da PMs, mas não há como comparar o dado com outros
períodos, “porque não é costume planilhar abordagens”, diz em relação à ostensividade,
“não ser algo diretamente do cotidiano da Polícia Civil”.
Já a Guarda Municipal de Fortaleza
(GMF) estima aumento de 70% no número de ações desde o início da paralisação. O
diretor-geral e inspetor da GMF, Rômulo Reis, contabiliza que das 19h do dia 19
de fevereiro até as 19h do dia 26 de fevereiro foram 51 procedimentos em
delegacias, 51 veículos recuperados, 10 armas de fogo apreendidas e 20 prisões
em flagrante.
Atuação
Além do número de abordagens, há
outros dados expressivos levantados pela Polícia Civil. Em entrevista concedida
ao Sistema Verdes Mares, Marcos Rattacaso afirmou que em uma semana (dias 18 a
25 de fevereiro) foram formalizadas 493 prisões e apreensões em flagrante de
adolescentes e maiores de idade, apreendidos 31 quilos de drogas e 84 armas de
fogo, inclusive um fuzil.
Segundo Rattacaso, uma média de 60
equipes da Polícia Civil diligencia a cada turno na capital e Grande Fortaleza:
“A Polícia Civil do Estado do Ceará,
desde o primeiro dia de paralisação de parte da Polícia Militar, veio com
planejamento operacional exatamente para dar segurança à população do Estado. A
Polícia Judiciária saiu do seu papel constitucional de investigar os crimes,
identificar autoria e materialidade dos delitos, e passou a montar equipes
diárias para fazer o trabalho de ostensividade”, disse Rattacaso.
Voluntários
O delegado-geral destaca que o
efetivo é voluntário, não existindo “nenhum prejuízo operacional às atividades
desenvolvidas pela Polícia Civil do Ceará”. Os policiais se voluntariam para
trabalhar na folga, e são remunerados no regime de horas extras. “É uma
determinação do governador do Ceará que não nos preocupemos com limite
financeiro. Isto não existe para um momento de crise”, salientou Rattacaso.
Já o diretor-geral da Guarda
Municipal de Fortaleza contou que, por turno, são empregadas 40 viaturas, com
160 homens ao todo. 10 principais cruzamentos da Cidade e outros pontos
estratégicos foram escolhidos para ter o reforço da Guarda, são eles: Bezerra
de Menezes e Praça Otávio Bonfim, Leste Oeste e Areninha Pirambu, avenidas
Domingo Olímpio e Aguanambi, Avenida Abolição e Praça Dr. Moreira de Sousa,
avenidas Rogaciano Leite e Murilo Borges, avenidas Antônio Sales e Desembargador
Moreira, Avenidas Oliveira Paiva e Washington Soares, Avenida Aguanambi e Rua
Soriano Albuquerque, avenidas 13 de Maio e da Universidade, avenidas Bernardo
Manuel e Silas Munguba, Terminais de Integração, Hospital Frotinha do Antônio
Bezerra, ruas Governador Manoel de Castro Filho e Firmino de Aguiar e sede do
Ministério Público do Ceará (MPCE).
“Boa parte do efetivo é de
voluntários e, em troca, há o pagamento de hora extra. As principais
ocorrências são roubos, porte de arma e tráfico de drogas. Nunca pegamos tantas
ocorrências quanto neste momento. Muito do que chega via Ciops, pelo 190, está
sendo direcionado para a Guarda e Polícia Civil. Todos os dias participamos das
reuniões na 10ª Região Militar para decidirmos juntos a melhor forma de
atuação”, ponderou o inspetor Rômulo Reis.
Enquanto grupos de policiais
militares protagonizam motins, a Polícia Civil e a Guarda Municipal de
Fortaleza atuam no policiamento ostensivo. Maior parte do trabalho é feito por
servidores voluntários.
Fonte: Diário do Nordeste
