No decurso da Quaresma, sem
perder a sobriedade que este tempo requer, a Sé Catedral de Nossa Senhora da
Penha foi revestida de branco, para celebrar, nas palavras do bispo diocesano,
“uma grata efeméride”: noventa anos do Monsenhor José Honor de Brito Filho.
Decano do Clero, ele chega a essa data magna exalando jovialidade e disposição
no serviço à Igreja e ao povo de Deus. Mesmo aposentado, por causa da idade,
ainda contribui, vivamente, com a formação dos novos sacerdotes, no Seminário
Propedêutico e São José. A
Santa Missa foi rezada por Dom Gilberto Pastana, concelebrada por padres da
circunvizinhança, em ação de graças pela vida, pela vocação e pelo testemunho
do Monsenhor Honor. E já na procissão de entrada, segurando a mão de uma
criança, ele chegou ao presbitério distribuindo sorrisos e acenos. Na
assembleia, seminaristas, religiosas, familiares e amigos retribuíram o gesto.
Na Oração Eucarística, Dom Gilberto lhe cedeu à presidência da celebração, para
que pudesse oferecê-la, unindo-a aos próprios sentimentos de gratidão a Deus,
num hino de louvor à bondade e à ternura do Senhor.
Devotíssimo de São José,
Monsenhor Honor é natural de Crato. Ingressou no Seminário aos doze anos e, aos
vinte e cinco, foi ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Francisco de Assis
Pires, segundo bispo diocesano. Questionado
sobre a origem de sua vitalidade, disse que ela emana de Deus, “que a tudo
manobra na grandeza do Seu Amor e da Sua fidelidade em nos fazer, nos criar e
de passar para nós a responsabilidade de construir uma vida no serviço”. A
propósito desse último, considerou: a dedicação ao serviço do outro revela a
presença de Deus, por meio da qual se pode sentir a realidade daquilo que é
rezado na oração do Pai-nosso e, assim, construir uma fraternidade sempre com a
certeza: Deus está. Essa
realidade – prosseguiu – a gente nunca pode esquecer. Deus é uma presença de
Pai e de Amor na nossa vida. Se a gente souber construir a paz e o amor na vida
dos outros – e na própria vida – aí vai longe.
Vida e ministério A
vida de Monsenhor Honor está inteiramente ligada ao seu ministério sacerdotal.
E desde que ingressa no Seminário São José, aos doze anos, uma máxima o
acompanha: “Quem não vive para servir, não serve para viver”. Ordenado
sacerdote, desenvolveu uma longa vida de dedicação a Deus e à Igreja. Foi o
pároco da Paróquia de São Francisco de Assis (1968), da Paróquia São Vicente
Ferrer (1977), da Paróquia São Miguel (1979) e da Catedral de Nossa Senhora da
Penha (1989), todas no Crato. Desempenhou
outros ofícios, dentre eles o de professor no Seminário São José, onde
permaneceu por mais de quarenta anos. Foi ainda secretário do bispado de Dom
Vicente Matos, diretor do jornal “A Ação” e da Empresa Gráfica Limitada, que
publicava o periódico, membro do conselho consultivo diocesano e do conselho
presbiteral, por mais de vinte anos; assistente dos Treinamentos de Liderança
Cristã (TLCs), coordenador do Grupo de Escoteiros BADEN POWEL, diretor da
Creche São Miguel e fundador da Sociedade de Apoio à Família Carente (SOAFAMC),
em 1984. Juntas, hoje atendem 1167 crianças (diretamente) e 4011 pessoas
(indiretamente), com ações educativas e sociais.
No ano de 1994 iniciou um
trabalho de construção de casas em mutirão, juntamente com a creche São Miguel,
com recursos do projeto “Mãos Unidas” e do Fundo Cristão. E auxiliado por
homens e mulheres das comunidades, promoveu a construção nos bairros São
Miguel, Mutirão, Muriti de baixo e de cima, São Bento e Pinto Madeira,
perfazendo um total de 656 casas, das quais se destacam a construção da Vila
Santa Rita e do Conjunto Mãos Unidas. Grata efeméride Ao
dirigir-se ao aniversariante, o bispo diocesano, Dom Gilberto, afirmou que a
Igreja de Crato vive uma “grata efeméride”, isto é, um notável acontecimento:
“Dois sentimentos presidem, pois, este momento: alegria e ação de graças. Neste
dia em que ele chega aos noventa anos de vida, só nos resta agradecer a Deus
por tudo o que ele fez para divulgar a Boa Nova de Cristo entre nós. E, ao
parabenizarmos por tudo o que ele representa para nossa diocese e para a cidade
de Crato, pedimos a Deus, Pai de Misericórdia, que o recompense por tudo que
ele fez e continua fazendo. Nossas felicitações por seu trabalho relevante,
silencioso e eficaz”.


