A manhã deste sábado (6) foi de
alegria para a família da aposentada Maria Luci de Lima e Silva, de 100 anos. É
que mais cedo, ela chegou em casa após 26 dias internada por complicações
causadas pela Covid-19. Dona Luci, que é hipertensa e diabética, deu entrada em
um hospital particular de Fortaleza no último dia 12, devido uma piora no
quadro.
Funcionária pública aposentada, Luci
reside há mais de 40 anos com uma amiga da família, que tem mais de 75 anos. O
primeiro sinal de atenção foi uma febre, percebida ao acordar, de acordo com a
sobrinha-neta da idosa, a médica anestesista Giovana Tiraboschi, de 52 anos.
“Minha prima me ligou para falar que Tia Luci amanheceu com febre. Pouco depois
uma das cuidadoras ficou doente e ficamos preocupados”, relembra.
Ambas as senhoras contam com uma
enfermeira e com auxiliar doméstica para os cuidados rotineiros. Elas estavam
em isolamento social, mantendo contato apenas com as cuidadoras, quando
manifestaram os sintomas. Somente Luci evoluiu para uma situação mais delicada.
A colega, que tem 75 anos, se recupera da doença em casa e não precisou de
internação médica.
Uma das principais preocupações da
família foi a impossibilidade de uma visita à Luci. Todo o acompanhamento
precisou ser feito à distância. “Minha outra tia chamou uma médica geriatra
para atender ela em casa”, conta Giovanna. A profissional chegou a receitar um
tratamento com hidroxicloroquina para ambas as idosas, mas Luci não respondeu
bem ao remédio e foi encaminhada ao hospital. O teste com resultado positivo
para infecção por novo coronavírus veio cinco dias depois dos primeiros
sintomas.
Acompanhamento à distância
Com a distância, a espera por
resposta foi o momento mais delicado para a família. parte dos parentes são do
grupo de risco da doença e precisaram manter o distanciamento social. As
atualizações vinham por telefone, direto para o número de Giovanna. “Foi muito
angustiante acompanhar de longe. Geralmente, qualquer coisinha, nós corremos
para lá para acudir mas dessa vez não tinha como”, confessa.
Mesmo que Luci não tenha se internado
em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), o quadro de saúde ainda precisou de
atenção. Durante a estadia no hospital, a idosa apresentou complicações.
“Ficamos assustados. Um tempo depois ela desenvolveu uma pneumonia bacteriana
sobreposta ao quadro de Covid-19. Não estava respondendo bem ao tratamento mas
a equipe médica optou por mudar o antibiótico e a situação normalizou”, aponta
a sobrinha-neta.
Depois do susto, as ligações
começaram a trazer consigo expectativas de melhora. “Os médicos me ligavam
quase todo o dia com atualizações. Aí ela permaneceu estável até a alta”, conta
Giovanna.
Novos dias
Para a família, o passo de Dona Luci
traz esperanças para aqueles que aguardam altas hospitalares de parentes.
“Saber que uma pessoa com essa idade
conseguiu sair desse quadro é uma grande esperança para todo mundo que está em
situação parecida”,
Agora que está em casa, Dona Luci
deve receber uma comemoração à altura. A família planeja para o dia 27 de
julho, aniversário da aposentada, uma festa de celebração da vida. O tema
reforça a vitória da senhora: será uma festa mascarada. “Vamos fazer um bolinho
para comemorar a vida, celebrar essa conquista”, anima a sobrinha.
Diário do Nordeste
