
Investigação apura se dinheiro doado foi usado na compra de fazendas e até casa na praia. Afipe movimentou R$ 2 bilhões em dez anos. Padre Robson diz que se afastou da Afipe para provar que não desviou do O padre Robson de Oliveira Pereira, de 46 anos, investigado por suspeita de usar dinheiro de doações de fiéis para comprar casa na praia, fazendas e outros itens de luxo, gravou um vídeo em sua rede social negando qualquer crime. Ele afirmou que se afastou da Associação Filhos do Pai Eterno, que cuida do Santuário Basílica de Trindade, para colaborar com as investigações. “O meu caminho nessa missão evangelizadora nunca foi fácil. Desde o início, como você bem sabe, sempre carreguei muitas cruzes”, disse. Na sexta-feira (21), o Ministério Público realizou a Operação Vendilhões, que investiga o uso de R$ 120 milhões da associação para comprar diversos imóveis e o uso fora das atividades ligadas à religião. O padre Robson era o reitor da Afipe e pediu o afastamento no mesmo dia. “Sempre estive e continuo à disposição do Ministério Público. Por isso, esse meu pedido de afastamento vai me permitir colaborar com as apurações da melhor forma e com total transparência para que seja confirmado que toda doação que fazemos ao Pai Eterno - terços rezados, o dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregado na evangelização - foi toda, repito, toda empregada na própria associação Afipe em favor da evangelização”, disse no vídeo. Segundo as investigações, a entidade recebia cerca de R$ 20 milhões em doações mensalmente e, em dez anos, movimentou R$ 2 bilhões. Padre Robson Oliveira se afastou da Afipe após operação do MP Reprodução/Instagram Caso de extorsão originou ação De acordo com o MP, a investigação começou há dois anos, por conta de outra investigação vinculada ao padre Robson. Conforme o apurado, na ocasião, o religioso foi extorquido durante dois meses, em março e abril de 2017, e "utilizou indevidamente recursos provenientes de contas das associações que preside". Um hacker chegou a ser condenado por extorquir R$ 2 milhões do padre, ameaçando revelar um suposto caso amoroso do religioso. Porém, a polícia apontou que as mensagens usadas para extorquir o padre eram falsas. De acordo com as investigações, o dinheiro foi repassado por transferências bancárias e entregas em espécie. Os pagamentos eram feitos em quantias de R$ 50 mil a R$ 700 mil. Em alguns casos, o valor era deixado dentro de um carro na porta de um condomínio ou no estacionamento de um shopping da capital. Uma das entregas foi supervisionada pela Polícia Civil a fim de identificar e localizar todos os criminosos.