O presidente eleito Luiz InĂ¡cio Lula da Silva (PT) foi diplomado nesta segunda-feira (12) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com um discurso de exaltaĂ§Ă£o Ă democracia, elogios Ă firmeza do JudiciĂ¡rio na defesa do processo eleitoral e a promessa de garantir a normalidade institucional depois do fim do governo Jair Bolsonaro (PL).
Chorando, Lula dedicou ao povo brasileiro o diploma de presidente eleito. Citou Deus e disse que farĂ¡ todos os esforços para cumprir com o compromisso de “fazer o Brasil um paĂs mais desenvolvido e mais justo”.

“Quero pedir desculpas a vocĂªs pela emoĂ§Ă£o, porque quem passou o que eu passei nos meus Ăºltimos anos, estar aqui agora Ă© a certeza de que Deus existe. Sei o quanto custou, nĂ£o apenas a mim, mas ao povo brasileiro essa espera para reconquistarmos a democracia nesse paĂs”, disse, antes de começar o ler o discurso previamente preparado para a ocasiĂ£o.
A declaraĂ§Ă£o foi feita na cerimĂ´nia de diplomaĂ§Ă£o no TSE. Lula e o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), receberam os diplomas confirmando que estĂ£o aptos a tomar posse, assinados pelo presidente da corte, ministro Alexandre de Moraes.
A palavra “democracia” foi repetida por Lula 22 vezes em seu discurso, sem contar outras referĂªncias semelhantes (como “instituições democrĂ¡ticas” e “Estado democrĂ¡tico”).
A cerimĂ´nia reforça a vitĂ³ria eleitoral em meio a atos antidemocrĂ¡ticos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na tentativa de reeleiĂ§Ă£o.
Lula ainda afirma que vai terminar de definir a composiĂ§Ă£o do primeiro escalĂ£o de seu governo nos dias seguintes Ă diplomaĂ§Ă£o. Os primeiros nomes, como de Fernando Haddad para comandar o MinistĂ©rio da Fazenda, foram anunciados na sexta-feira (9).
No discurso, Lula disse que “poucas vezes na histĂ³ria recente deste paĂs a democracia esteve tĂ£o ameaçada”. Afirmou ainda que a vontade popular foi colocada Ă prova, e precisou vencer “obstĂ¡culos para ser ouvida”.
O presidente diplomado disse que Ă© preciso “tirar uma liĂ§Ă£o” dos Ăºltimos anos. “Para nunca mais esquecermos, para que nunca mais aconteça”.
Ele afirmou que nĂ£o abre mĂ£o da defesa da liberdade de expressĂ£o. “Mas defenderemos atĂ© o fim o livre acesso Ă informaĂ§Ă£o de qualidade, sem mentiras e manipulações que levam ao Ă³dio e Ă violĂªncia polĂtica.”
Lula tambĂ©m disse que a eleiĂ§Ă£o marcou a disputa de um projeto de reconstruĂ§Ă£o do paĂs contra o de destruiĂ§Ă£o, “ancorado no poder econĂ´mico e na indĂºstria de mentiras e calĂºnias jamais vista ao longo de nossa histĂ³ria”.
“Os inimigos da democracia lançaram dĂºvidas sobre as urnas eletrĂ´nicas, cuja confiabilidade Ă© reconhecida em todo o mundo”, disse ainda o presidente diplomado.