Durante a manhã de ontem, 08, os professores aceitaram a nova proposta encaminhada pela Prefeitura de reajuste do piso salarial. Após 10 dias paralisação e protestos, o prefeito José Sarto, que já havia anunciado na noite de terça-feira, 07, um reajuste geral de 5,79% para os servidores do município, apresentou a proposta de chegar, a partir de setembro, até o reajuste de 14,95% conforme foi solicitado pelos professores após determinação do Ministério da Educação (MEC).
A gestão municipal também garantiu que o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) será preservado. De acordo com o comunicado divulgado pela Prefeitura, os esforços acontecem “em prol de garantir a valorização dos profissionais da educação”. O informativo também lembrou que, recentemente, houve um concurso público para a contratação de 2 mil professores efetivos para a Rede Municipal de Ensino, dos quais 1.822 professores aprovados já foram empossados e lotados. “O compromisso da Prefeitura reafirma-se em atender a todas as demandas, além de conceder inovações”, afirmaram.
Em frente ao Paço Municipal, em assembleia geral realizada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), que vinha organizando as manifestações dos educadores, a proposta foi avaliada pelos professores. O Sindiute detalhou que o aumento será aplicado de forma parcelada, sendo 5,79% em janeiro e mais 9,16% em setembro, neste último caso sem efeito retroativo. Com a negociação, chega ao fim a paralisação dos profissionais da Rede Municipal e o ano letivo pode ser efetivamente iniciado em Fortaleza. As aulas na capital deveriam ter começado no último dia 27 de janeiro, o que não aconteceu devido a paralisação que começou no dia 26 do mesmo mês.
Assim, as aulas devem retornar hoje, 09. A Prefeitura Municipal informou que a secretária de educação de Fortaleza, Dalila Saldanha, ficará responsável por negociar, junto aos professores, como acontecerá a reposição das aulas do início do ano letivo de 2023. É válido ressaltar que, segundo o Sindiute, ainda será negociado o pagamento das paralisações e todos os educadores, inclusive novos concursados e substitutos, que vão entrar na folha de pagamento até o dia 10 de fevereiro. Além disso, o sindicato aprovou em assembleia que no dia 08 de março acontecerá uma nova paralisação nacional e uma assembleia geral para avaliar o movimento.
A notícia sobre o reajuste foi celebrada entre os educadores que se encontravam em frente ao Paço Municipal na manhã de ontem. “Vitória dos professores”, gritou a multidão. A presidente do Sindiute, Ana Cristina Guilherme, destacou a importância da participação de toda a categoria nas manifestações dos últimos dias. “De todas as lutas que eu já dirigi, participei e convivi, essa foi a mais importante. Do começo até o fim houve unidade e responsabilidade”, disse. A líder do sindicato também afirmou que todas as escolas municipais foram afetadas pela paralisação. No período, estimou-se que 80% da rede de Fortaleza estivesse fechada. O Jornal O Estado visitou unidades escolares em diferentes bairros como Meireles, Centro e Jardim das Oliveiras e confirmou que enquanto umas estavam sem aulas, em outras havia movimento reduzido de alunos.
“O conhecimento é avanço político da categoria. Nós entramos nesse movimento com zero, estamos saindo com o nosso PCCS, com o nosso piso salarial este ano, com a reposição dos dias paralisados e com a garantia dos professores novos, substitutos e efetivos na folha deste mês. Isso é muito importante, a luta vai continuar. No dia 8 de março estaremos porque queremos o nosso retroativo. Juntos somos fortes”, comemorou Ana Cristina Guilherme.
Ceará
É válido lembrar que, de acordo com o levantamento mais atualizado da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), outros 104 municípios do Ceará já reajustaram o salário dos professores. Na maior parte deles, a alteração foi extensiva ao conjunto dos profissionais que formam o magistério municipal. Contudo, em Barbalha e Santa Quitéria, a decisão só afetou a remuneração dos professores com formação em nível médio.
Dessa forma, também é importante destacar que na maioria das cidades o reajuste foi igual ou superior a 14,95%. No Eusébio, o aumento ficou um pouco abaixo do índice, em 14,81%. 44 localidades arredondaram o percentual para 15%. Com 16%, Morrinhos e Paraipaba se destacam com os maiores reajustes concedidos no Estado.
Por Yasmim Rodrigues
